Nossa equipe da USP investigou a incidência de desvio na coluna em jovens brasileiros

Os resultados parciais de um estudo realizado pela doutora do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP, Patrícia Penha, o prof. Ms. Rodrigo Andrade, Barbarah Carvalho entre outros pesquisadores, mostram que um problema de coluna chamado escoliose idiopática do adolescente é mais frequente em jovens meninas. Essa condição caracteriza-se por um deslocamento tridimensional da vértebra do seu eixo e não tem causa conhecida.

Os primeiros sintomas costumam aparecer durante a fase mais acentuada de crescimento, que geralmente ocorre pouco antes da adolescência. Os poucos dados existentes sobre a prevalência dessa escoliose em jovens do hemisfério sul foram os motivadores para que Patrícia dedicasse a temática de seu doutorado ao assunto.  Além da prevalência da condição em adolescentes do interior do estado de São Paulo, também foram avaliadas a qualidade de vida e a postura de seus portadores.

Sobre a escolha de estudar em alunos do  interior, mais especificamente de Amparo, Patrícia diz que uniu a conveniência, já que essa é a cidade onde mora, ao fato de o interior oferecer a possibilidade de se estudar todas as escolas do município (12  no total). O fato  de os estudantes de cidades menores exibirem menos disparidades em suas condições de vida em relação aos alunos da capital também foi relevante.

Para o estudo, foram selecionados 2.516 jovens, entre 10 e 14 anos,  todos alunos de escolas públicas estaduais pertencentes à Diretoria Regional de Ensino de Mogi Mirim. Até o momento, foram avaliados 1.206 adolescentes, entre eles 709 meninas e 497 meninos.

O rastreamento para escoliose idiopática foi feito nos alunos, através da mensuração do ângulo de rotação do tronco por meio do escoliômetro. Esse processo acontece durante o chamado Teste de Adams, que busca um sinal físico de deformidade na coluna vertebral. No teste, o paciente flexiona o tronco para a frente e o marco zero do  escoliômetro (espécie de régua de nível usada em construções) é colocado nas costas, na parte posterior das vértebras. Quando a escoliose está presente, a ferramenta se inclina por conta da proeminência gerada pelo desvio da coluna. Assim, se mede o ângulo gerado (ângulo de rotação do tronco). Se esse for maior que sete graus, o paciente é encaminhado para o exame radiográfico, que permite confirmar o diagnóstico.

Teste da Adams e medição realizada com escoliômetro

      Medição com escoliômetro realizada durante o Teste de Adams

Já a qualidade de vida foi analisada por um questionário validado pela Scoliosis Research Society (Sociedade de Pesquisa em Escoliose), enquanto a avaliação postural foi feita por meio de fotografias observadas no Software de Avaliação Postural (Sapo).

Sobre os resultados, ainda parciais, Patrícia diz: “A prevalência de escoliose nesta amostra foi de 2,46% para o gênero feminino e 0,61% para o masculino. No entanto, não houve diferença na qualidade de vida entre os grupos com e sem escoliose”.

A pesquisadora também diz que ainda não é claro o motivo pelo qual meninas apresentam mais quadros de escoliose. A sugestão parcial que ela faz é mudar a idade de avaliação dos meninos, já que a escoliose idiopática do adolescente está ligada ao chamado “estirão” (fase de maior crescimento) “Essa fase acontece para as meninas, de modo geral, entre os 10 e 13 anos e para os meninos dos 13 aos 15.”

Patrícia ressalta que, no entanto, não é possível fazer uma afirmação concreta a esse respeito e espera acabar a avaliação dos outros adolescentes restantes para chegar a mais conclusões.

Fonte: http://www.usp.br/aun/exibir?id=6859

 

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