Exercícios de controle motor versus levantamento terra em pacientes com dor lombar crônica recorrente: quem é melhor?

levantamento terra x controle motor

O tratamento de pacientes com dor lombar crônica recorrente deve, obrigatoriamente, conter um programa de exercícios, sabendo de seus efeitos positivos na redução dos níveis de dor e incapacidade, além de todos os benefícios para a saúde em geral.

Embora saiba-se da importância do exercício, muito se questiona sobre qual tipo de exercício é mais indicado para pacientes com dor lombar crônica. Os exercícios de controle motor, caracterizados por serem exercícios de baixa intensidade, têm sido amplamente utilizados por fisioterapeutas mundo afora, com o objetivo de modificar padrões de movimento e melhorar padrões de recrutamento muscular, dentre outros. Essa modalidade de exercício é sabidamente eficaz para pacientes com dor crônica, embora seus efeitos sejam no máximo moderados e não saibamos exatamente os mecanismos responsáveis por promover essa melhora clínica.

Por outro lado, exercícios de alta intensidade, como o levantamento terra, são raramente utilizados como forma de tratamento. Isso se deve a alguns fatores, dentre eles o medo de prescreve-los para pacientes com dor lombar, já que o é senso comum que altas intensidades apresentariam maior potencial lesivo devido à sobrecarga (será???)

O objetivo desde estudo prospectivo, randomizado e controlado foi comparar os efeitos de um programa de exercícios de controle motor (baixa intensidade) ao treinamento através do exercício de levantamento terra (alta intensidade) em pacientes com dor lombar crônica recorrente.

Exercícios de controle motor

levantamento terra

70 pacientes com média de 41 anos e níveis moderados de dor e incapacidade receberam 12 sessões de exercício durante 8 semanas. Os exercícios de controle motor foram individualizados (12 sessões de 50 minutos). Já o levantamento terra foi realizado em sessões de 20 a 30 minutos, sempre em grupos de até 5 pacientes.

Os resultados deste estudo indicaram que ambas as modalidades de exercício melhoraram a função dos pacientes, sendo que o grupo de controle motor atingiu maiores níveis de função comparado ao grupo de alta intensidade – embora a diferença não seja clinicamente importante;

Ambas as modalidades de treinamento foram eficazes em reduzir a intensidade de dor lombar, sem diferenças entre os grupos;

Ambas as modalidades melhoraram força de levantamento e resistência, com os exercícios de controle motor levando pequena vantagem em dois testes de endurance (ponte em prono e Biering-Sorensen)

Apenas dois participantes do grupo de alta intensidade relataram efeitos adversos com a técnica (5,7%). Nenhum efeito adverso aconteceu

Nota do editor:

Os resultados deste estudo mostram que, embora o tratamento baseado em princípios de controle motor seja eficaz, outras estratégias de maior intensidade também o são. E mais importante ainda, tudo indica que sejam seguras para os pacientes. Muitos não aderem ao tratamento com exercícios de controle motor por questões de preferência, enquanto outros tem a demanda por atividades de maior intensidade. Este estudo auxilia o fisioterapeuta a compreender que a alta intensidade pode ser uma solução para o paciente.

Não é preciso comentar que a técnica do exercício e a carga precisam ser individualizados e que os limites do paciente precisam ser respeitados, correto? Obviamente nem todos se beneficiarão dessa estratégia. Provavelmente ela não se aplique a pacientes com altos níveis de incapacidade e níveis elevados de dor.

Desmistificar a ideia de “coluna frágil” e quebrar a crença de que dor é sinônimo de lesão são componentes educacionais indispensáveis no tratamento da dor lombar. O tratamento por meio de exercícios de alta intensidade pode fornecer uma janela de oportunidades para demonstrar a alguns pacientes que eles são capazes de realizar aquele algo a mais, e que essa alta intensidade é sim terapêutica.

Fonte: Grupo Facebook Evidência Nível 1 Que Fisioterapia Funciona . Autor: Giovanni E. Ferreira

Artigo Completo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25641309 (PEDro 7/10)

Comente!