Coletes Ortopédicos para o Tratamento da Escoliose

De acordo com o SOSORT International Conference on Scoliosis 2015 (Consenso anual sobre as maiores evidências científicas no tratamento da Escoliose), diz que:

Curvaturas escolióticas de 25 a 45 graus de Cobb: O uso dos coletes ortopédicos durante é indicado durante a fase de crescimento de crianças e adolescentes, para prevenir a progressão da curvatura, enquanto o crescimento da coluna vertebral. Em conjunto com o colete ortopédico é indicado o Tratamento Científico da Escoliose pelo Método SEAS ou Método Schroth é de fundamental importância para a preparação e para orientações para o uso do colete ortopédico.

Os tipos de Coletes Ortopédicos descritos na Literatura Atual (EUROPEAN JOURNAL OF PHYSICAL AND REHABILITATION MEDICINE), são:

Vale ressaltar que os coletes que estão fora desta lista, NÃO ESTÃO RESPALDADOS NA LITERATURA E PODEM SER PERIGOSO PARA OS PACIENTES COM ESCOLIOSE IDIOPÁTICA DO ADOLESCENTE.

Colete Milwaukee

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Colete Milwaukee foi desenvolvido na cidade de Milwaukee nos Estados Unidos, por  Walter Blount e Albert Schmidt , em 1945.  Inicialmente foi desenvolvido para imobilização durante o pós-operatório de cirúrgias da coluna vertebral.

O Colete Milwaukee foi utilizado pela primeira vez como Órtese tóraco-lombo-sacra (TLSO) para escoliose, pelo Dr. Moe Spring e Lonstein do grupo Twin Cities.

Em um estudo de Lonstein e Winter, (1994) onde foram tratados 1.020 pacientes com escoliose idiopática do adolescente, 22% após o tratamento realizaram intervenção cirúrgica, ou seja o tratamento foi mal sucedido. E isto aconteceu com maior frequências em curvas acima de 30 graus.

Colete de Boston

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O Colete de Boston, foi desenvolvido na cidade de Boston nos Estados Unidos, por ohn Hall e William Miller do Hospital Infantil de Boston , em 1972. Principalmente, por um paciente com uma curva lombar que se recusou a usar uma colete de Milwaukee. Este colete ortopédico também é um TLSO e é o mais utilizado na América do Norte.

Em um estudo de Emans (1984), um estudo retrospectivo com 295 pacientes. Em seus resultados foi observado, uma alta porcentagem (49%) de pacientes que não melhoraram, 43% dos pacientes com escoliose conseguiram melhorar, 11% após o tratamento realizaram intervenção cirúrgica e 1% realizou cirurgia nas seguintes avaliações (follow-up).

Colete de Lyon

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O Colete de Lyon é uma  adaptação do Colete de Milwaukee, desenvolvido por Pierre Stagnara (1947) e modificado por Allègre e Lecante (um material de alta rigidez) (1958) na cidade de Lyon, na França. Este colete é ajustável de forma rígida e sem um anel pescoço.

No estudo de de Mauroy, Lecante , Barral (2009), foi observado uma correção do ângulo de Cobb de 12% na região torácica, 24% na região tóraco-lombar, e de 36% lua região lombar. Além disso, obtiveram uma correção ainda maior na gibosidade (rotação) que foi melhor corrigida do que o ângulo de Cobb: 1/3 no nível torácico e maior que 50% na região lombar.

Colete de Thoracolumbar Lordotic Intervention (TLI)

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Colete de Thoracolumbar Lordotic Intervention (TLI) é uma modificação do Colete de Boston (simétrico). Com o principal objetivo de garantir a lordose forçado o alinhamento da coluna tóraco-lombar.

No estudo de Lusini et al (2013), mostrou-se uma forte redução do ângulo de Cobb em diferentes curvas nas hipercifoses e nas escolioses. Em um Follow-up  de 1 ano, nas radiografias feitas sem colete, revelou-se uma melhora em todos as medidas nos planos sagital e coronal.

Colete Rigo Chêneau

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Foi desenvolvido em 1960 na França e na Alemanha e atualmente é um dos mais aceitos e utilizados a nível mundial, durante a Formação que realizei no Método Schroth em Hong Kong este colete é o recomendado para tratar de escolioses em conjunto com os Exercícios Científicos, por se tratar de um colete rígido e fornecer correção em 3-dimensões.

Em estudo recente de Ovadia, Eylon e Mashiah (2012), foi observado melhora de 25% da correção no ângulo de Cobb, e estabilizou em cerca de 23% das curvas. A conclusão do estudo é que o Colete de Cheneau não só interrompe a progressão, mas possivelmente melhorar a curve.

Colete de Sforzesco

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Desenvolvido  em Milão na Itália, no ISICO – Istituto Scientifico Italiano Colonna Vertebral, onde me formei pelo Método SEAS. Por Stefano Negrini e Gian-franco Marchini em 2004.

Este colete tem a sigla de “SPORT”  que são a base para a eficácia do tratamento (Simétrico, Orientação-paciente, rígido, Tridimensional e Ativo).

Este colete é um compilado dos coletes Lyon, Chêneau-Sibilla, e Milwaukee.

No estudo de Gabos et al (2004), onde comparou os coletes de Sforzesco X Lyon no tratamento de escolioses com curvas em média de 38° de Cobb, foi observado em seus resultados após seis meses de tratamento que, o colete de Sforzesco obtiveram 80% de melhorar e nenhum paciente piorou. Já nos pacientes que utilizaram o colete de Lyon, 53% dos pacientes melhoraram, enquanto 13% pioraram.

Colete de Charleston

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Frederick Reed, MD, e Ralph Hooper,  Charleston, Carolina do Sul (1979).

Foi desenvolvida para um paciente que se recusou a usar o colete pelo dia tempo todo, por Frederick Reed e Ralph Hooper,  em Charleston na Carolina do Sul, em 1979.

No estudo de Lee et al (2012), em seus resultados mostrou-se ser eficaz em estabilizar ou melhorar a progressão de escoliose em 84%, e 16% dos casos de escoliose progrediram.

Colete Providence

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Desenvolvido por Charles d’Amato e Barry McCoy no Hospital Infantil de Rhode Island, em 1992.

O Colete Providence ultrapassou do Colete de Charleston na frequência de utilização como um sistema de órtese noturna, por se tratar de um colete menos agressivo.

No trabalho de Janicki et al (2007), a taxa de progressão com este colete foi elevada, em 60% dos pacientes que necessitam de cirurgia.

Colete Dynamic Derotating (DDB)

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Este é um colete do tipo Órtese tóraco-lombo-sacra (TLSO), foi desenvolvido em  Atenas na Grécia,  em 1980. Este colete ortopédico é dinâmico pode existirem dispositivos rotatórios que atuam como molas.

Em estudo de Grivas e Vasiliadis (2008), foi observado em seus resultados uma correção global do ângulo de Cobb de 49,54%. E na reavaliação (Follow-up) após 2 anos, uma correção de 44,10%. Por tanto, 35,70% de curvas melhoraram, 46,42% estabilizaram suas curvas e 7,83% aumentaram.

Colete SpineCor

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Desenvolvido com o financiamento do governo Canadense com mais de 70 pesquisadores e um investimento de mais de 10 milhões de dólares canadenses. Os pesquisadores responsáveis são Christine Colliard e Charles Rivard do Hospital St. Justine, em Montreal no Canadá, em 1993.

O SpineCor é um órtese distintamente original, não-rígida que se baseia em movimento paciente para ativar efeitos de correção.

Sua eficácia para curvas maiores tem sido muito discutida. Nos estudos de Coillard, Circo e Rivard (2009), pode-se observar que em 64% estabilizou ou melhorou sua curvatura escolástica e 18% dos pacientes necessitaram de cirurgia.

Colete de  Progressive Action Short Brace (PASB)

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TLSO – Dr. Lorenzo Aulisa (1976) para o tratamento de toracotomia lombar e curvas idiopáticas lombares.

Aulisa et al (2009), o valor Médio do Cobb era de  29,3° antes do tratamento, e depois 14,67°, e da rotação era 12,7° e foi para 8,95°. Foi observado correção de em 94% dos pacientes, e a estabilização em 6% das curvas.

Colete Wilmington

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Colete TLSO de escolha dos médicos do DuPont/Nemours Children’s Center – Wilmington  – Dean MacEwen, em 1969.

De acordo com um estudo retrospectivo de Gabos et al, (2004), em um grupo de 91 pacientes, a taxa de progressão foi de 17%, enquanto o restante da população era estável.